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Projetificação da sociedade é destaque em aula inaugural do CEGP

Por: Caio Roberto
12 de julho de 2022

Quer aprender com os melhores profissionais de Gestão de Projetos e ter aulas direto da sua casa? Conheça o curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP) da POLI USP PRO, que iniciou as aulas da sua primeira turma abordando a temática da projetificação da sociedade. As inscrições já estão abertas para quem quer aproveitar essa oportunidade!

A aula inaugural do curso foi transmitida ao vivo no dia 20 de maio, com mediação de Ronaldo Ducatti. A aula também contou com a participação de Marly Monteiro de Carvalho, professora e coordenadora do curso. Ela falou um pouco sobre a história e objetivos do curso, além de iniciar a jornada dos alunos na área de Gestão de Projetos com uma exposição sobre a projetificação da sociedade. Confira mais, abaixo!

Leia também: Conheça a Especialização em Gestão de Projetos da POLI USP PRO!

Abrindo o CEGP

A transmissão teve início às 19h com algumas considerações sobre o funcionamento das aulas. Também foram apresentadas algumas ferramentas utilizadas pelos professores e mediadores para promover a interação entre docentes e alunos, como o Wooclap, o Zoom de intervalo e o Q&A.

Os alunos ainda assistiram a um vídeo de introdução e puderam conhecer um pouco sobre a origem da POLI USP PRO. O vídeo mostrou alguns detalhes da criação do Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica (POLI) da Universidade de São Paulo (USP), em 1958, e os eventos que nos trouxeram até aqui.

O vídeo conta com a presença da professora Marly Monteiro de Carvalho, chefe do PRO e coordenadora do curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP), que fala um pouco sobre a história da instituição. “Vocês já conhecem os nossos cursos de especialização, eles têm uma tradição de longa data: o primeiro, o curso de especialização em Administração Industrial (CEAI), data da década de 1990”, comenta.

Especialização em Gestão de Projetos

Durante a aula, a coordenadora também falou sobre a história e os objetivos do CEGP, que já formou mais de 75 turmas presenciais desde 1998. Ela explicou que o curso visa trazer um viés de engenharia à área, sem prender os alunos em uma só visão. Para isso, as disciplinas são divididas em três módulos: Project Management Office (PMO), Soft Skills e Hard Skills.

“Acreditamos que gerir projetos é gerir complexidade. Para gerir complexidade, temos uma série de ferramentas de caráter mais analítico, estatístico, que nos permitem modelar essas situações de complexidade e incerteza, que são inerentes em qualquer projeto. A ideia é que os alunos saibam fazer abordagens preditivas, mas também adaptativas, e que tenham essa ambidestria entre os lados hard e soft da Gestão de Projetos”, explica ela.

Leia mais: Como é o funcionamento dos cursos da POLI USP PRO?

Gestão de Projetos aplicada

Marly começou o conteúdo da aula expondo o objetivo do encontro: apresentar o conceito de projetificação da sociedade, a evolução histórica da Gestão de Projetos e as características e complementariedades gerais das diferentes abordagens da área (abordagem preditiva, abordagem adaptativa e abordagem híbrida).

Os alunos foram questionados sobre as razões para estudarem Gestão de Projetos. Entre as respostas obtidas estavam: projetos de inovação, criação de uma startup, projetos pessoais (como reforma de casa), coordenação de projetos complexos, aplicação de melhoria contínua nas empresas, supply chain e construção civil.

“Eu adorei que vocês falaram ‘projetos pessoais’. Eu sei que a maioria de vocês usa a palavra ‘projeto’ – de vida, de casa, de casamento. Nós usamos o termo projeto e isso faz parte do conceito de projetificação, que sai dos muros da indústria e vai para a alma da sociedade”, respondeu ela.

A projetificação da sociedade

Infográfico mostra a mudança que a projetificação da sociedade causou na área de Gestão de Projetos.
A projetificação da sociedade tem efeitos em todos os aspectos de nossa vida.

De acordo com a professora, a Gestão de Projetos surgiu com o objetivo de criar uma rotina de produção nas organizações, de modo a criar uma produção em massa, por meio da racionalização “científica”, da padronização e do controle. No entanto, ao longo do tempo, a área foi sendo valorizada cada vez mais e esse objetivo se transformou para visar a inovação.

Essa valorização da Gestão de Projetos causou uma tendência de organizações inovadoras e uma valorização do capital intelectual. A complexidade da inovação e a mobilidade do capital intelectual alcançaram novos paradigmas, como a inovação aberta e a gestão de projetos complexos. Assim, organizações deixaram de vender somente produtos e passaram a vender soluções, enquanto as fronteiras organizacionais foram quebradas com a transformação digital.

Mesmo assim, ainda faltam profissionais qualificados na área para o mercado de trabalho. “O gerente de projetos não pode ser alguém que só domine aspectos hard de incerteza, previsão e estimativa. Ele precisa ter também esse lado soft, porque ele vai gerir capital intelectual, de conhecimento”, explicou Marly.

A valorização da Gestão de Projetos causou efeitos em todos os aspectos da nossa sociedade:

  • Organizações privadas: condições de trabalho caracterizadas por uma interação de regimes trabalhistas permanentes e temporários. Tensões de duas culturas paralelas dentro da empresa, levando à frustração e incerteza sobre que tipos de experiências podem ser recompensadas.
  • Vida profissional e pessoal das pessoas: indivíduos estão transformando a si mesmos e aos outros em projetos. Desequilíbrio entre a alta responsabilidade pessoal pelos resultados do projeto e a falta de poder real. O trabalho exige flexibilidade máxima, impactando a vida pessoal.
  • Sociedade: o caráter temporário e transitório dos projetos tornou-se um veículo de organização da realidade. Uma orientação cada vez mais episódica na sociedade contemporânea. A racionalidade tornou-se um esquema de vida. Surgiu uma maneira particular de formar uma relação consigo mesmo e com os outros.

Leia também: TCC da pós-graduação: uma possibilidade de promoção profissional

Projetos e a gestão

Segundo Marly, a área de Gestão de Projetos passou por três grandes ondas transformadoras que a tornaram no que conhecemos hoje:

  • 1986: consolidação das abordagens preditivas e dos guias de conhecimento (Books of Knowledge – BoKs);
  • 2001: divulgação do Manifesto Ágil;
  • 2021: Transformação Digital e Sustentabilidade.

Ela destacou que, “quando pensamos em ondas, não significa que elas passaram, mas que houve uma etapa inicial, que começou na consolidação de algumas abordagens, e foi migrando e incorporando outras. As ondas falam das preocupações de quando começaram, mas não quer dizer que elas não sejam importantes hoje. São todas aditivas.”

Mas o que é um projeto? Para Marly, “todo projeto precisa ter duas características: ser temporário e ser único. Isso significa que todo projeto tem início e fim definido e que o produto ou serviço é diferente de todos os similares feitos anteriormente.”

Deste modo, mesmo réplicas de prédios são projetos. Afinal, mesmo com os projetos arquitetônico, estrutural e hidráulico já prontos, na hora da construção haverá características e problemas únicos daquela unidade (contratação, local, pessoal). “Os projetos têm características contextuais próprias, que envolvem o próprio projeto: orçamento, tamanho de equipe, produto, serviço e resultado”, esclareceu.

Diferentes abordagens

A coordenadora apresentou, então, dois macromodelos de abordagens da Gestão de Projetos: a abordagem preditiva e a adaptativa. Para exemplificá-las, ela pediu que os alunos desenhassem um porquinho em 2 minutos. Depois, ela deu 5 minutos para que desenhassem um outro porquinho, dessa vez com instruções claras e específicas sobre como desenhá-lo. A primeira situação representava modelos adaptativos, enquanto a segunda representava o modelo preditivo.

Infográfico sobre a projetificação da sociedade mostra a diferença entre as abordagens preditiva e adpatativas.
A projetificação da sociedade mudou a própria área de Gestão de Projetos.

Ela explicou que, até poucos anos atrás, a abordagem preditiva imperava. Porém, as abordagens adaptativas vinham ganhando cada vez mais espaço e, com a pandemia, a transição de um modelo para outro foi acelerada. Assim, fizemos uma transição repentina e forçada dos times colocalizados e presenciais para o remoto, com times virtuais e distribuídos.

Para finalizar, ela comentou que o fenômeno da projetificação é uma tendência crescente, com implicações para toda a sociedade. Além disso, não existe uma receita única e as abordagens em si não são boas ou ruins, mas devem ser escolhidas de acordo com sua adequação a um dado contexto, sendo possível combinar ambas as abordagens (esquemas híbridos).

Gostou de conhecer um pouco sobre a história e o conceito da Gestão de Projetos? Que tal se adaptar para viver em uma sociedade que passa pela projetificação? Inscreva-se para a próxima turma do curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP) da POLI USP PRO!

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