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Projetificação da sociedade é destaque em aula inaugural do CEGP

Caio Roberto

Publicado em

9 minutos de leitura

Quer aprender com os melhores profissionais de Gestão de Projetos e ter aulas direto da sua casa? Conheça o curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP) da POLI USP PRO, que iniciou as aulas da sua primeira turma abordando a temática da projetificação da sociedade. As inscrições já estão abertas para quem quer aproveitar essa oportunidade!

A aula inaugural do curso foi transmitida ao vivo no dia 20 de maio, com mediação de Ronaldo Ducatti. A aula também contou com a participação de Marly Monteiro de Carvalho, professora e coordenadora do curso. Ela falou um pouco sobre a história e objetivos do curso, além de iniciar a jornada dos alunos na área de Gestão de Projetos com uma exposição sobre a projetificação da sociedade. Confira mais, abaixo!

Leia também: Conheça a Especialização em Gestão de Projetos da POLI USP PRO!

Abrindo o CEGP

A transmissão teve início às 19h com algumas considerações sobre o funcionamento das aulas. Também foram apresentadas algumas ferramentas utilizadas pelos professores e mediadores para promover a interação entre docentes e alunos, como o Wooclap, o Zoom de intervalo e o Q&A.

Os alunos ainda assistiram a um vídeo de introdução e puderam conhecer um pouco sobre a origem da POLI USP PRO. O vídeo mostrou alguns detalhes da criação do Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica (POLI) da Universidade de São Paulo (USP), em 1958, e os eventos que nos trouxeram até aqui.

O vídeo conta com a presença da professora Marly Monteiro de Carvalho, chefe do PRO e coordenadora do curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP), que fala um pouco sobre a história da instituição. “Vocês já conhecem os nossos cursos de especialização, eles têm uma tradição de longa data: o primeiro, o curso de especialização em Administração Industrial (CEAI), data da década de 1990”, comenta.

Especialização em Gestão de Projetos

Durante a aula, a coordenadora também falou sobre a história e os objetivos do CEGP, que já formou mais de 75 turmas presenciais desde 1998. Ela explicou que o curso visa trazer um viés de engenharia à área, sem prender os alunos em uma só visão. Para isso, as disciplinas são divididas em três módulos: Project Management Office (PMO), Soft Skills e Hard Skills.

“Acreditamos que gerir projetos é gerir complexidade. Para gerir complexidade, temos uma série de ferramentas de caráter mais analítico, estatístico, que nos permitem modelar essas situações de complexidade e incerteza, que são inerentes em qualquer projeto. A ideia é que os alunos saibam fazer abordagens preditivas, mas também adaptativas, e que tenham essa ambidestria entre os lados hard e soft da Gestão de Projetos”, explica ela.

Leia mais: Como é o funcionamento dos cursos da POLI USP PRO?

Gestão de Projetos aplicada

Marly começou o conteúdo da aula expondo o objetivo do encontro: apresentar o conceito de projetificação da sociedade, a evolução histórica da Gestão de Projetos e as características e complementariedades gerais das diferentes abordagens da área (abordagem preditiva, abordagem adaptativa e abordagem híbrida).

Os alunos foram questionados sobre as razões para estudarem Gestão de Projetos. Entre as respostas obtidas estavam: projetos de inovação, criação de uma startup, projetos pessoais (como reforma de casa), coordenação de projetos complexos, aplicação de melhoria contínua nas empresas, supply chain e construção civil.

“Eu adorei que vocês falaram ‘projetos pessoais’. Eu sei que a maioria de vocês usa a palavra ‘projeto’ – de vida, de casa, de casamento. Nós usamos o termo projeto e isso faz parte do conceito de projetificação, que sai dos muros da indústria e vai para a alma da sociedade”, respondeu ela.

A projetificação da sociedade

Infográfico mostra a mudança que a projetificação da sociedade causou na área de Gestão de Projetos.
A projetificação da sociedade tem efeitos em todos os aspectos de nossa vida.

De acordo com a professora, a Gestão de Projetos surgiu com o objetivo de criar uma rotina de produção nas organizações, de modo a criar uma produção em massa, por meio da racionalização “científica”, da padronização e do controle. No entanto, ao longo do tempo, a área foi sendo valorizada cada vez mais e esse objetivo se transformou para visar a inovação.

Essa valorização da Gestão de Projetos causou uma tendência de organizações inovadoras e uma valorização do capital intelectual. A complexidade da inovação e a mobilidade do capital intelectual alcançaram novos paradigmas, como a inovação aberta e a gestão de projetos complexos. Assim, organizações deixaram de vender somente produtos e passaram a vender soluções, enquanto as fronteiras organizacionais foram quebradas com a transformação digital.

Mesmo assim, ainda faltam profissionais qualificados na área para o mercado de trabalho. “O gerente de projetos não pode ser alguém que só domine aspectos hard de incerteza, previsão e estimativa. Ele precisa ter também esse lado soft, porque ele vai gerir capital intelectual, de conhecimento”, explicou Marly.

A valorização da Gestão de Projetos causou efeitos em todos os aspectos da nossa sociedade:

  • Organizações privadas: condições de trabalho caracterizadas por uma interação de regimes trabalhistas permanentes e temporários. Tensões de duas culturas paralelas dentro da empresa, levando à frustração e incerteza sobre que tipos de experiências podem ser recompensadas.
  • Vida profissional e pessoal das pessoas: indivíduos estão transformando a si mesmos e aos outros em projetos. Desequilíbrio entre a alta responsabilidade pessoal pelos resultados do projeto e a falta de poder real. O trabalho exige flexibilidade máxima, impactando a vida pessoal.
  • Sociedade: o caráter temporário e transitório dos projetos tornou-se um veículo de organização da realidade. Uma orientação cada vez mais episódica na sociedade contemporânea. A racionalidade tornou-se um esquema de vida. Surgiu uma maneira particular de formar uma relação consigo mesmo e com os outros.

Leia também: TCC da pós-graduação: uma possibilidade de promoção profissional

Projetos e a gestão

Segundo Marly, a área de Gestão de Projetos passou por três grandes ondas transformadoras que a tornaram no que conhecemos hoje:

  • 1986: consolidação das abordagens preditivas e dos guias de conhecimento (Books of Knowledge – BoKs);
  • 2001: divulgação do Manifesto Ágil;
  • 2021: Transformação Digital e Sustentabilidade.

Ela destacou que, “quando pensamos em ondas, não significa que elas passaram, mas que houve uma etapa inicial, que começou na consolidação de algumas abordagens, e foi migrando e incorporando outras. As ondas falam das preocupações de quando começaram, mas não quer dizer que elas não sejam importantes hoje. São todas aditivas.”

Mas o que é um projeto? Para Marly, “todo projeto precisa ter duas características: ser temporário e ser único. Isso significa que todo projeto tem início e fim definido e que o produto ou serviço é diferente de todos os similares feitos anteriormente.”

Deste modo, mesmo réplicas de prédios são projetos. Afinal, mesmo com os projetos arquitetônico, estrutural e hidráulico já prontos, na hora da construção haverá características e problemas únicos daquela unidade (contratação, local, pessoal). “Os projetos têm características contextuais próprias, que envolvem o próprio projeto: orçamento, tamanho de equipe, produto, serviço e resultado”, esclareceu.

Diferentes abordagens

A coordenadora apresentou, então, dois macromodelos de abordagens da Gestão de Projetos: a abordagem preditiva e a adaptativa. Para exemplificá-las, ela pediu que os alunos desenhassem um porquinho em 2 minutos. Depois, ela deu 5 minutos para que desenhassem um outro porquinho, dessa vez com instruções claras e específicas sobre como desenhá-lo. A primeira situação representava modelos adaptativos, enquanto a segunda representava o modelo preditivo.

Infográfico sobre a projetificação da sociedade mostra a diferença entre as abordagens preditiva e adpatativas.
A projetificação da sociedade mudou a própria área de Gestão de Projetos.

Ela explicou que, até poucos anos atrás, a abordagem preditiva imperava. Porém, as abordagens adaptativas vinham ganhando cada vez mais espaço e, com a pandemia, a transição de um modelo para outro foi acelerada. Assim, fizemos uma transição repentina e forçada dos times colocalizados e presenciais para o remoto, com times virtuais e distribuídos.

Para finalizar, ela comentou que o fenômeno da projetificação é uma tendência crescente, com implicações para toda a sociedade. Além disso, não existe uma receita única e as abordagens em si não são boas ou ruins, mas devem ser escolhidas de acordo com sua adequação a um dado contexto, sendo possível combinar ambas as abordagens (esquemas híbridos).

Gostou de conhecer um pouco sobre a história e o conceito da Gestão de Projetos? Que tal se adaptar para viver em uma sociedade que passa pela projetificação? Inscreva-se para a próxima turma do curso de Especialização em Gestão de Projetos (CEGP) da POLI USP PRO!

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A POLI USP PRO, a pós-graduação lato sensu a distância (EAD) do Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, oferece cursos de MBA, proporcionando aos alunos uma experiência completa de ensino online, com possibilidade de networking, flexibilidade de horário e interação com professores e colegas em aulas ao vivo.